O que é um pólipo intestinal?

Pólipos são pequenas elevações da mucosa do intestino grosso. Alguns são considerados lesões pré-malignas e podem crescer lentamente e se transformar em câncer ao longo dos anos. Por isso, identificar e remover pólipos durante a colonoscopia (polipectomia) é uma das formas mais eficazes de prevenir o câncer colorretal.

Nem todos os pólipos são iguais. Eles são classificados de acordo com sua morfologia e, principalmente, com base na histologia — o material enviado para análise microscópica após a retirada.

Quais são os principais tipos?

Pólipos adenomatosos (Adenomas)

Podem ser tubulares, tubulovilosos ou vilosos. São divididos em categorias de baixo e alto risco dependendo do tamanho, número e grau de displasia (anormalidade das células).

Pólipos serrilhados

Incluem pólipos hiperplásicos, lesões serrilhadas sésseis (com ou sem displasia) e adenomas serrilhados tradicionais. Cada subtipo tem implicações distintas no seguimento.

Quais têm maior chance de virar câncer?

As características que definem os pólipos de maior risco são:

Tamanho ≥ 10 mm. O risco aumenta progressivamente com o tamanho do pólipo.
Displasia de alto grau Descreve o quão anormais as células parecem sob o microscópio. Nos pólipos serrilhados sésseis (SSPs), qualquer displasia já os classifica como avançados.
Histologia vilosa Adenomas com aspecto de vilosidades (vilosos ou tubulovilosos) são classificados como adenomas avançados e têm maior risco de malignização.
Adenoma serrilhado tradicional (TSA) Tipo histológico específico considerado perigoso, rotineiramente classificado como lesão avançada que exige vigilância.
Alta multiplicidade 5 a 10 adenomas ou SSPs classifica o paciente em alto risco. Mais de 10 adenomas em um único exame exige retorno em 1 ano e encaminhamento para aconselhamento genético, pela suspeita de síndrome hereditária.

O que acontece após a retirada do pólipo?

Após a polipectomia, o material é enviado para análise anatomopatológica. Com base no laudo da patologia e nos achados da colonoscopia, o médico orienta o intervalo para repetição do exame, levando em conta principalmente:

Colonoscopia de alta qualidade

Para que as recomendações de seguimento sejam feitas com segurança, é necessário que a colonoscopia tenha sido de alta qualidade. Os critérios incluem:

Preparo insatisfatório ou exame incompleto

Se o preparo não foi adequado, as diretrizes recomendam repetir a colonoscopia em até 1 ano. Se o exame foi incompleto, é preciso avaliar a causa e definir a melhor forma de visualizar o restante do intestino: pode ser realizada nova tentativa de colonoscopia ou métodos de imagem como colonoscopia virtual (colonografia por tomografia computadorizada) ou cápsula endoscópica de cólon.

Quando preciso repetir a colonoscopia?

O intervalo recomendado varia conforme os achados do exame. A tabela abaixo resume as principais situações:

Intervalos de vigilância após colonoscopia
Achado na colonoscopia Intervalo recomendado
Colonoscopia normal / pólipos sem risco
Colonoscopia normal (nenhum adenoma ou pólipo de risco) 10 anos
< 20 pólipos hiperplásicos (< 10 mm) no reto ou sigmoide 10 anos
Adenomas tubulares de baixo risco
1 a 2 adenomas tubulares (< 10 mm) 7 a 10 anos
3 a 4 adenomas tubulares (< 10 mm) 3 a 5 anos
5 a 10 adenomas tubulares (< 10 mm) 3 anos
Mais de 10 adenomas no mesmo exame 1 ano
Adenomas avançados
Adenoma ≥ 10 mm 3 anos
Adenoma com histologia vilosa ou tubulovilosa 3 anos
Adenoma com displasia de alto grau 3 anos
Pólipos serrilhados
Pólipo hiperplásico ≥ 10 mm 3 a 5 anos
1 a 2 pólipos serrilhados sésseis (SSP) < 10 mm 5 a 10 anos
3 a 4 SSPs < 10 mm 3 a 5 anos
5 a 10 SSPs < 10 mm 3 anos
SSP ≥ 10 mm ou SSP com displasia 3 anos
Adenoma serrilhado tradicional (TSA) 3 anos
Situação especial
Pólipo gigante ≥ 20 mm removido em pedaços (piecemeal) 6 meses

"Realizar a colonoscopia antes do necessário expõe o paciente a riscos desnecessários. Atrasar pode permitir o crescimento de lesões que seriam removidas facilmente."

E se eu tiver histórico de câncer de intestino na família?

O histórico familiar muda as recomendações de rastreamento:

1 parente de 1º grau com diagnóstico antes dos 60 anos, ou 2 ou mais parentes de primeiro grau em qualquer idade: iniciar rastreamento aos 40 anos (ou 10 anos antes da idade do familiar mais jovem ao diagnóstico), com repetição a cada 5 anos.

1 parente de 1º grau com diagnóstico aos 60 anos ou mais: iniciar também aos 40 anos, mas após o exame normal, retomar os intervalos de risco médio (10 anos se normal, ou seguir a tabela acima se encontrar pólipos).

Regra prática

O médico deve sempre comparar o intervalo indicado pelo pólipo retirado com o intervalo exigido pelo histórico familiar, adotando sempre o prazo mais curto. Exemplo: histórico familiar indica 5 anos, mas o pólipo retirado exige 3 anos → o prazo final é 3 anos.

Quando parar a vigilância?

A diretriz europeia recomenda encerrar a vigilância por pólipos aos 80 anos (ou antes, se houver comorbidades limitantes). A diretriz britânica recomenda parar aos 75 anos ou se a expectativa de vida for menor que 10 anos.

Encontrar um pólipo não significa que existe câncer. Na maioria das vezes, a remoção durante a colonoscopia resolve o problema. O intervalo para repetir o exame depende das características do pólipo, do resultado da biópsia e da qualidade da colonoscopia — e deve sempre ser definido de forma individualizada pelo gastroenterologista.

Dra. Marcela Paes Terra

Dra. Marcela Paes Terra

Gastroenterologista e endoscopista com formação pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Especialista em doenças do aparelho digestivo, endoscopia diagnóstica e terapêutica. Atende em São Paulo (Vila Madalena e Bela Vista).