Gastroenterologia
Condição comum que afeta o funcionamento do intestino, causando dor abdominal, inchaço e alterações nas evacuações. Entenda as causas, o diagnóstico e as opções de tratamento.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma condição comum que afeta o funcionamento do intestino. Pessoas com SII podem apresentar dor ou desconforto abdominal, inchaço, gases e alterações das evacuações, como diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois.
Atualmente, sabe-se que a SII está relacionada a uma alteração na comunicação entre o intestino e o cérebro, fazendo com que o intestino fique mais sensível e funcione de forma diferente.
A SII é grave? Embora os sintomas sejam reais e possam causar bastante incômodo, os exames geralmente não mostram inflamação, infecção ou lesões no intestino. Também não existe aumento do risco de câncer de intestino nem evolução para inflamação intestinal.
Os sintomas mais comuns são:
Os sintomas costumam variar ao longo do tempo e podem piorar em períodos de estresse, ansiedade ou após determinados alimentos.
Evacuações frequentes e fezes amolecidas.
Evacuações infrequentes e fezes endurecidas.
Alternância entre períodos de diarreia e constipação.
A Síndrome do Intestino Irritável não possui uma causa única. Atualmente, acredita-se que a doença resulte da combinação de vários fatores:
Esses fatores podem fazer com que o intestino se torne mais sensível e funcione de forma diferente, causando os sintomas característicos da SII.
O diagnóstico é baseado nos sintomas e nos critérios clínicos internacionais chamados de Critérios de Roma V:
✅ Dor ou desconforto abdominal recorrente, associado a pelo menos dois dos seguintes:
Além disso, os sintomas devem ser persistentes ou recorrentes, causar impacto na qualidade de vida e não ter outra doença que os explique adequadamente.
Geralmente são solicitados poucos exames laboratoriais, como hemograma, proteína C reativa (marcador inflamatório), anticorpo antitransglutaminase (para afastar doença celíaca), parasitológico de fezes e calprotectina fecal (marcador inflamatório específico do intestino).
A colonoscopia não é obrigatória para o diagnóstico de SII, mas pode ser indicada quando existem sinais de alerta:
Os alimentos que mais frequentemente pioram os sintomas da SII são os ricos em FODMAPs — carboidratos fermentáveis que podem aumentar a produção de gases e atrair água para o intestino.
Dieta Low FODMAP é atualmente uma das estratégias com maior evidência científica para o controle dos sintomas em pacientes selecionados. Converse com seu médico sobre a indicação e como realizá-la adequadamente.
A SII é considerada uma condição crônica e ainda não tem cura, mas a maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas com acompanhamento adequado, mudanças na alimentação, hábitos saudáveis e, quando necessário, uso de medicamentos.
Muitas pessoas apresentam longos períodos de melhora e conseguem levar uma vida normal e ativa.
O tratamento da Síndrome do Intestino Irritável é individualizado e pode incluir:
O acompanhamento com um gastroenterologista é fundamental para identificar o subtipo da SII, afastar outras doenças e construir um plano de tratamento personalizado que melhore a qualidade de vida.
Dúvidas frequentes
Sim. Os sintomas da SII se assemelham aos de diversas outras condições, como doença celíaca, doença inflamatória intestinal (Crohn e Retocolite), intolerância à lactose e parasitoses. Por isso, o diagnóstico deve ser feito por um gastroenterologista, com a realização de exames para descartar essas outras causas.
Não. A Síndrome do Intestino Irritável não está associada a um aumento do risco de câncer de intestino nem evolui para doenças inflamatórias intestinais. Porém, o rastreamento de câncer colorretal segue recomendado normalmente — a partir dos 45 anos para a população geral.
Não necessariamente. O diagnóstico da SII é clínico, baseado nos sintomas e nos Critérios de Roma V. A colonoscopia é indicada quando existem sinais de alerta (sangue nas fezes, anemia, perda de peso, sintomas iniciados após os 50 anos ou história familiar de câncer de intestino) ou quando o paciente já está na faixa etária de rastreamento.
Sim. A SII é fortemente influenciada pelo eixo intestino-cérebro. Situações de estresse, ansiedade e alterações emocionais costumam desencadear ou agravar os sintomas. Por isso, o manejo do estresse e, em alguns casos, o suporte psicológico fazem parte do plano de tratamento.
A dieta Low FODMAP reduz temporariamente o consumo de carboidratos fermentáveis presentes em alimentos como cebola, alho, trigo, algumas frutas, leguminosas e certos adoçantes. Tem evidência científica sólida para alívio dos sintomas em pacientes com SII. Deve ser conduzida com orientação médica ou de nutricionista para garantir adesão adequada e reintrodução correta dos alimentos.
A SII é considerada uma condição crônica sem cura definitiva, mas a grande maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas com tratamento adequado. Muitas pessoas passam longos períodos sem sintomas e levam uma vida completamente normal. O acompanhamento com um gastroenterologista é essencial para ajustar o tratamento conforme necessário.
Sim. A Síndrome do Intestino Irritável é cerca de duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens. A doença também tende a se manifestar mais cedo, geralmente entre os 15 e 40 anos. Fatores hormonais podem influenciar os sintomas — muitas mulheres relatam piora durante o período menstrual.
Alguns estudos mostram benefício de determinadas cepas de probióticos na redução de sintomas como distensão, gases e diarreia em pacientes com SII. No entanto, os resultados variam conforme a cepa, a dose e o perfil do paciente — não existe um probiótico universal indicado para todos. Converse com seu gastroenterologista para avaliar se faz sentido no seu caso.
Sim, e é uma relação bidirecional. O intestino e o cérebro comunicam-se constantemente pelo chamado eixo intestino-cérebro. Pacientes com SII têm maior prevalência de ansiedade e depressão, e o contrário também é verdadeiro: pessoas com ansiedade e depressão tendem a apresentar mais sintomas intestinais. Isso não significa que a SII "é coisa da cabeça" — os sintomas são completamente reais —, mas explica por que o manejo do estresse e, em alguns casos, suporte psicológico ou medicamentos específicos fazem parte do tratamento.
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