Exames Endoscópicos
Cápsula Endoscópica: tudo o que você precisa saber
Exame inovador que permite visualizar o intestino delgado com uma pequena câmera do tamanho de um comprimido — sem sedação, sem dor e sem internação.
O que é a cápsula endoscópica?
A cápsula endoscópica é um exame que permite visualizar o intestino delgado por meio de uma pequena câmera do tamanho de um comprimido — cerca de 26 × 11 mm. Após ser engolida, a cápsula percorre naturalmente o trato digestivo capturando milhares de imagens, que são transmitidas em tempo real para um gravador usado pelo paciente.
O exame é indolor, não necessita de sedação e permite avaliar regiões do intestino delgado que não podem ser examinadas pela endoscopia digestiva alta ou pela colonoscopia convencionais.
Como funciona?
O processo é simples e não invasivo:
Quais são as vantagens?
Para que serve a cápsula endoscópica?
Investigação de anemia por deficiência de ferro
Quando a endoscopia e a colonoscopia não identificam a causa da anemia, a cápsula avalia o intestino delgado em busca de sangramentos ocultos. No Brasil, é a principal indicação e consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Sangramento digestivo oculto
Considerada o exame de escolha para investigação de sangramento de origem no intestino delgado, especialmente quando os exames convencionais não identificam a fonte.
Doença de Crohn do intestino delgado
Permite identificar inflamações, erosões e úlceras do intestino delgado em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Doença de Crohn, avaliando extensão e atividade da doença.
Tumores do intestino delgado
Auxilia na detecção de pólipos e tumores em regiões de difícil acesso pelos exames convencionais.
Doença celíaca e suas complicações
Em situações selecionadas, contribui para avaliação de complicações e extensão do acometimento intestinal.
Síndromes polipoides hereditárias
Auxilia no rastreamento de pólipos em pacientes de alto risco, como portadores da Síndrome de Peutz-Jeghers.
Quais doenças a cápsula endoscópica pode detectar?
- Angioectasias (malformações vasculares que causam sangramento)
- Sangramentos ocultos do intestino delgado
- Úlceras do intestino delgado
- Doença de Crohn
- Tumores do intestino delgado
- Pólipos intestinais
- Enterites induzidas por medicamentos (como anti-inflamatórios)
- Alterações associadas à doença celíaca
Como é o preparo?
O preparo é semelhante ao de outros exames intestinais e inclui:
- Jejum antes do exame
- Uso de laxantes conforme orientação médica — geralmente administrado na noite da véspera do exame, em quantidade menor do que no preparo da colonoscopia
- Dieta líquida e clara na véspera do exame
- Suspensão de medicamentos específicos, quando necessário
Limpeza adequada é essencial. A qualidade das imagens depende diretamente de um intestino bem preparado. Siga rigorosamente as orientações médicas para garantir a qualidade do exame.
Existem riscos?
A cápsula endoscópica é considerada um exame muito seguro. A principal complicação, embora rara, é a retenção da cápsula: ocorre quando a cápsula permanece no intestino por mais de duas semanas ou fica retida em uma área de estreitamento — geralmente associada a doenças inflamatórias, cirurgias prévias ou tumores.
Em alguns casos o exame pode ser incompleto, sem visualização de todo o intestino delgado, seja por esgotamento da bateria antes de atingir o cólon ou por trânsito intestinal muito lento.
Quando a cápsula endoscópica não deve ser realizada?
O exame pode não ser recomendado em situações como:
- Suspeita de obstrução intestinal
- Estenoses intestinais conhecidas
- Alguns casos de Doença de Crohn com estenoses
- Pacientes com dificuldade de engolir (contraindicação relativa)
Pacientes com dificuldade para engolir têm contraindicação relativa para realizar o exame. A cápsula pode ser introduzida e posicionada diretamente no intestino por meio de uma endoscopia alta.
A avaliação médica individualizada é fundamental para determinar a indicação correta e garantir a segurança do exame.
Dúvidas frequentes
Perguntas sobre a cápsula endoscópica
Não. Ela é eliminada naturalmente nas fezes em poucos dias, assim como qualquer outro objeto ingerido que não é absorvido pelo corpo. Na maioria dos casos o paciente nem percebe quando isso ocorre.
Na maioria das marcas de cápsula, não. A cápsula é eliminada naturalmente nas fezes sem necessidade de recuperação. No entanto, na cápsula Capsocam o armazenamento das imagens ocorre na própria cápsula — nesse caso, o paciente recebe um kit de coleta para recuperá-la nas fezes e devolvê-la ao serviço.
Sim. Uma das grandes vantagens da cápsula endoscópica é que permite realizar diversas atividades habituais durante a gravação — o paciente usa o gravador portátil preso ao corpo enquanto segue sua rotina. Algumas atividades intensas devem ser evitadas, como academia e corrida, para que a aparelhagem não saia do lugar e não haja perda de captura de imagens.
Não. A ressonância magnética é uma contraindicação para realizar o exame de cápsula endoscópica. O campo eletromagnético pode causar mobilização da cápsula dentro do intestino, podendo ocasionar lesões e perfuração.
Sugere-se realizar a ressonância primeiro. Se a cápsula for feita antes, será necessário aguardar a confirmação de sua eliminação nas fezes antes de realizar a ressonância.
Não. São exames complementares com objetivos diferentes. A colonoscopia continua sendo o principal exame para avaliação do intestino grosso (cólon) e prevenção do câncer colorretal. A cápsula endoscópica é especialmente indicada para o intestino delgado — região que a colonoscopia não consegue avaliar completamente.
Existe, no entanto, a cápsula de cólon, que avalia o intestino grosso e geralmente é indicada em casos de colonoscopia incompleta ou em situações de recusa ou contraindicação à sedação.
Não. A endoscopia digestiva alta avalia esôfago, estômago e duodeno com maior detalhe e permite procedimentos como biópsias e tratamentos. A cápsula é voltada para o intestino delgado, a região entre o duodeno e o cólon, e não substitui a avaliação do trato digestivo superior.
A ANS incluiu a cápsula endoscópica no rol de procedimentos cobertos para investigação de anemia por deficiência de ferro inexplicada — que é a principal indicação do exame. Para outras indicações, a cobertura pode variar conforme o plano e a justificativa médica. Consulte seu médico e operadora para verificar a cobertura no seu caso.
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